domingo, 27 de março de 2011

Os vinhos míticos da Enotria

Os vinhos míticos da Enotria.

Recebo um convite do “Instituto Del Vino italiano di Qualitá” para participar do evento

“Grandi Marchi” de 2011 a ser realizado em São Paulo, na última quarta feira 23 de março no hotel Unique, onde seriam apresentados “treze” vinhos míticos desta terra de vinhos e deuses mitológicos.

Alguns produtores em pessoa ou membros de suas respectivas diretorias,

alguns proprietários de importadoras e seus principais vendedores,

críticos dos principais veículos de informação,

representantes das principais associações enogastronômicas, clientes de prestígio,

estavam presentes para este evento, que foi organizado com esmero pela Alessandra Casolato e sua tripulação e conduzido com maestria pelo nosso querido multimediático medico e consultor sênior de vinhos Arthur Piccolomini de Azevedo.

A origem dos mitos é muito discutida ainda, até hoje... Para um historiador os mitos seriam meras transformações de fatos históricos em lendas.

Para um linguista, as narrativas míticas se originam de locuções deformadas, por isso a mesma história, contada em termos diversos, pode ser encontrada em diferentes lugares.

Para um sociólogo, o mito é uma expressão de um meio social semireal e semidealizado, um meio primitivo, onde o chefe logo se transforma em Deus...

Para um psicanalista, enfim, os mitos são marcas evidentes dos desejos recalcados no inconsciente humano.

Mas em um ponto, todos estão de acordo, todos os mitos contém símbolos,

símbolos de sentido oculto ou manifesto, que coordenam os anseios e temores humanos com os grandes fenômenos naturais.

Se os vinhos degustados, foram vinho míticos, fiquei sem saber se os enólogos que sonharam, visualizaram e elaboraram tais vinhos seriam também. deuses antigos como: o El dos povos fenícios, o Rig Veda ou o Brama dos hindus, ou Chang Ti dos chineses, ou deuses clássicos como os gregos: Zeus filho de Gaia ( mãe terra) e Urano ( céu) ou Jupiter

nome adotado pelos romanos... A verdade é que para nós membros da comunidade de enófilos os mitos exprimem a concepção de mundo que compartilhamos, muito antes dos ícones modernos, parkerizados e hoje disseminados por twitters e facebooks da tecnologia moderna...

Osíris, Dionísio e Bacco são filhos de titãs, ciclopes e gigantes, são irmãos das musas, criaturas semidivinas, contemporâneas das ninfas quem habitavam a floresta e das nereidas que viviam nos mares, personagens que com auxílio dos ventos criaram o Terroir.

Nesse mundo onírico, a Enotria, mundo regado a néctares, néctares elaborados por semideuses que mais tarde foram chamados de enólogos o vinho se destacava, existiam e existem até hoje vinhos míticos de todos os estilos e para todos os bolsos, vinhos que expressam o Terroir de cada região da Enotria. Assim Arthur introduziu cada vinho:

  1. Ca’ del bosco – Cuvée prestige DOC / DOCG : Franciacorta DOCG Annata : NV Varietà : Chardonnay 75%, Pinot Bianco 10%, Pinot Nero 15%. Grado Alcolico : 12.5% by vol. Preço: US$ 89.00 Mistral
  2. Alois Lageder – Benefizium Porer Pinot Grigio DOC / DOCG : Annata : 2008 Varietà : Pinot Gris 100% Grado Alcolico : 13% by vol. Preço: US$ 49.00 Mistral
  3. Michele Chiarlo - Nizza La Court DOC / DOCG : Barbera D’Asti Superiore DOCG Annata : 2006 Varietà : Barbera 100% Grado Alcolico : 13.5% by vol. Preço: R$ 275,00 Zahil

pio vettoriale.eps

  1. Pio Cesare – Barolo DOC / DOCG : Barolo DOCG Annata : 2006 Varietà : NEBBIOLO 100 % Grado Alcolico : 13,5% by vol Preço: R$ 320,00 Decanter
  2. Masi – Costasera Amarone classico DOC / DOCG: Amarone della Valpolicella Classico DOC Annata : 2006 Varietà : 70% Corvina, 25% Rondinella, 5% Molinara. Grado Alcolico : 14.75 % by vo Preço: US$ 150.00 Mistral
  3. Lungarotti – Rubesco riserva vigna Monticchio DOC / DOCG :Torgiano Rosso Riserva DOCG Annata : 2004 Varietà : 70%Sangiovese and 30% Canaiolo Grado Alcolico : 14% by vo Preço: US$126,00 Mistral
  4. Tenute Folonari – Baia al vento DOC / DOCG : Doc Bolgheri superiore rosso Annata : 2007 Varietà : 90% Merlot, 5% Cabernet franc, 5% Petit verdot. Grado Alcolico : Preço: R$ 250,00 Cantu
  5. Antinori – Guado al Tasso DOC / DOCG : Bolgheri Doc Superiore Annata : 2005 Varietà : 57% Cab. Sauvignon, 30% Merlot, 10% Cab.Franc, 3% Petit Verdot Grado Alcolico : 14% by vol. Preço: R$ 368,00 Winebrands
  6. Umani Ronchi - Pelago DOC / DOCG : Marche rosso Igt Annata : 2006 Varietà : Cabernet Sauvignon 50% - Montepulciano 40% - Merlot 10% Grado Alcolico : 14 % by vo Preço: R$ 198,00 Expand
  7. Il Falcone Castel Del Monte DOC Riserva Annata : 2005 Varietà : Nero di Troia 70% - Montepulciano 30% Grado Alcolico : 13,5% by vo Preço: R$ de 90,00 a 120,00. D’Olivino.
  8. Mastroberardino – Radici Taurasi DOC / DOCG :Amarone della Valpolicella Classico DOC Annata : 2006 Varietà : 70% Corvina, 25% Rondinella, 5% Molinara. Grado Alcolico : 14.75 % by vol Preço: US$ 97.00 Mistral
  9. Tasca d’ Almerita – Rosso del Conte DOC / DOCG : Red D.O.C. - Contea di Sclafani. Annata : 2005 Varietà :Nero d’Avola grapes 85% and other red grapes varieties Grado Alcolico : 14% by vol. Preço: US$ 139,50 Mistral
  10. Donnafugata – Ben Ryé DOC / DOCG : Passito di Pantelleria DOC Varietà : Zibibbo (Moscato d’ Alessandria) Grado Alcolico : 14.5% by vol. Preço: R$ 176,00 (375 ml) World Wine.

Evidentemente, esta degustação poderia parecer um sonho, mas foi real, e foi um estrondoso sucesso.

Só que nós somos brasileiros, candidatos a quinta Economia mundial e,

não podemos nos abster de comentar, particularmente meus leitores me perguntam:

O que você achou? Qual o melhor vinho? Qual você não gostou?

Fico na saia justa, pois sou neto de italianos, minha mãe era toscana, eu nasci na

Avenida Lins de Vasconcelos pleno Cambuci, vivi 30 anos em São Paulo, e moro atualmente no Rio, durante os últimos 37 anos, mas ouso humildemente colocar meus comentários, ao estilo “correr da pena”, sem pensar e portanto peço desculpas se magoar alguém, mas são sempre críticas construtivas e orientação aos consumidores.

O vinho que mais gostei foi o número 3, o barbera de Michele Chiarlo, uma explosão ou melhor, um “tsunami” de aromas e sabores que invadiu meu palato e minhas narinas e marcou meus neurônios, mais virgens até agora.

O barolo e o amarone fizeram um duelo a parte, mas não foram dos melhores barolo e amarones que já provei, mas entre esses dois o barolo servido ganhou de longe. Parabéns Adolar!

O Pinot Gris do Lageder, pode ter um grande corpo, mineralidade, ser ecologicamente sustentável, mas para ser bebido no meu Rio de Janeiro entra em contradição com a leveza requerida para nossas ocasiões, posso estar cometendo um grande crime, mas prefiro o Pinozinho Griggio do Adriano, lá de Bagé.

Agora , quando for visitar meu amigo Hartmann, lá em Gratz e cruzar o Tirol, lembrarei do Benefizio Porer....

Já não acontece o mesmo com o Cuvèe Prestige do Ca’ Del Bosco, o truque de adicionar 20% de vinho reserva e para ser tomado não em taças flute, vai deixar muitos dos 18000 produtores de Champagne, com inveja..... Fica aí uma dica para nossos enólogos, semideuses dos espumantes nacionais, adicionem 20% de Chardonnay reserva dos bons que saltaremos em qualidade.

Agora o Lungarotti, de vinhedo único me decepcionou, me deixou vermelho, rubesco de vergonha ....

Em conpensação Giovanni Mazzoni, apresentou um super Bolgheri, Baia Al Vento, que será comercializado pela Cantu, um vinho aveludado de Merlot e temperado no Ponto pela Petit Verdot.

Parabéns Thiago.

Também de Bolgheri o marchese Piero Antinori, não conseguiu chegar a tempo para apresentar o seu super toscano, bordalês machiatto com syrah, por um preço muito maior que os barolos e amarones, para mim totalmente fora do nosso mercado..... Já não existem tantos “commendatori italianos” que compram vinhos apenas pelo nome da “famiglia” no Brasil.... Agora a Cosa Nostra está na mão dos coreanos....

Grata surpresa foi ver o Pélago, ser apresentado pelo presidente da mesa Michele Bernitti de mãos dadas, com o Otavio, trazendo agora para a nova Expand, vinhos de qualidade a preços mais justos.

O meu Taurasi, estava estranho, cheguei a pensar que era a rolha , não era, talvez o copo, impregnado de aromas de papelão de caixa acartonado, poderia ser Bret, mas prefiro me ausentar de comentar este vinho. Seus Greco di Tufo no salão ao lado estava excelente;

Pena que a grappa não veio.

O siciliano Rosso Del Conte, não me deixou feliz. Lembrei do velho e consistente Feudo Montoni, para mim muito desconhecido mas uma beleza, Roberto Rodrigues, não deixe de prova-lo em sua excursão pela ilha.

Caro, mas muito bom o ‘filho do vento’ (Ben Ryè), que a Roberta apresentou.

Como vocês vem a realidade dos mercados, obriga a cada produtor procurar novos nichos e este é o caso da Itália.

Aprendi nesta reunião que o consumo da Itália era em 2008 cerca de 50 litros por ano por pessoa e agora ano passado, mal passa de 40, uma queda de cerca de 20% !

Será a invasão dos vinhos do Novo Mundo? Será a crise financeira de 2009? Será o avanço do Islamismo?

Mas como dizia minha mãe: “Quando l’acqua arriva al culo tutti imparano a nuotare !”

Acho que os mitos e os deuses estão apreendendo a nadar...e como Deus é brasileiro, estão vindo para cá !

Olho vivo galera!

Schiffini